
Na edição de 25 de junho do Diário do Nordeste foi publicada uma notícia sobre mais um crime contra os animais, desta vez cometido, anonimamente, na Universidade Estadual do Ceará. A postagem desta notícia no blog da APROV não serve apenas como denúncia, mas espera-se que possamos refletir, pensar, discutir e propor projetos e políticas que evitem atos tão cruéis.
"Universidade quer esterilizar e abrigar animais"
Para evitar novas mortes, a Uece colocará em prática dois projetos. Um deles em parceria com a Prefeitura
A comunidade científica da Universidade Estadual do Ceará (Uece), estudantes e professores, ainda está chocada e revoltada com mais um crime contra os gatos que vivem soltos no Campus do Itaperi. “Ontem, o pessoal da limpeza recolheu 18 animais mortos”, afirmou o diretor da Faculdade de Veterinária da Uece, professor Célio Pires Garcia.
O autor do envenenamento dos felinos, noticiado ontem pelo Diário do Nordeste, ainda é desconhecido. Diante da crueldade cometida contra os animais, o diretor lamenta que não haja nenhum suspeito. Contudo, admite que “nem todo mundo é obrigado a gostar de gatos, mas, mesmo nesses casos, ninguém tem o direito de maltratar ou matar”.
Para evitar que novas mortes sejam cometidas contra os gatos, a Uece colocará em prática dois projetos. Um deles é finalizar as negociações com a Prefeitura de Fortaleza para firmar um convênio de parceria com o Centro de Controle de Zoonoses a fim de realizar o programa de esterilização dos animais. “Há dois anos estamos tentando firmar esse convênio com a Prefeitura Municipal”, revela Célio Garcia.
Há cerca de três anos, a Faculdade de Veterinária da universidade já faz a esterilização dos gatos que vivem no campus. Após o procedimento, alguns animais são enviados para feiras de adoção. Com o convênio firmado, “teremos condições de esterilizar um número maior de felinos”, salientou o diretor da faculdade.
A segunda medida para proteger os gatos do Campus do Itaperi é o projeto do Centro de Convivência para abrigar os animais abandonados. “Muitas pessoas acham que pode vir com o porta-mala cheio de gatos e soltar na Uece”, revela Célio Garcia. Ele espera que as duas iniciativas — a esterilização e o centro —, além de protegerem os animais, evitem as mortes e estabilizem a população de felinos no campus.
O médico veterinário do Centro de Controle de Zoonoses, Sérgio Franco, ao tomar conhecimento das mortes dos gatos, disse que “envenenar animais é crime, previsto na legislação”. Ele explicou que não se pode eliminar, de forma aleatória e sem recomendação técnica, animais abandonados nas ruas, em praças públicas ou nos campus universitários.
Ele é favorável ao controle populacional dos animais, mas defende a implantação de um programa de esterilização para resolver o problema. “Nessas área não há um controle, mas uma pessoa chegar ao ponto de envenenar os animais é um absurdo”, criticou o médico veterinário do CCZ.
No caso específico da Uece, ele afirmou que o convênio com a Prefeitura de Fortaleza está adiantado. “A parte técnica já está elaborada e prevê a castração de 150 animais, média mensal. Esperamos que a Uece e o Município entrem em acordo e a parte burocrática do convênio seja acertada”, argumentou Sérgio Franco. Segundo ele, o projeto será desenvolvido pelos professores e alunos dos últimos anos do curso de Veterinária da Uece.
Na opinião da presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), Geusa Leitão Barros, se a Prefeitura de Fortaleza realizasse um trabalho de esterilização e controle de natalidade de animais de rua, a médio e longo prazos, a população de gatos e cães iria diminuir. “O povo tem pena e joga os animais nas praças, nos pólos de lazer e nas universidades, algumas pessoas se sentem incomodadas e colocam veneno para acabar com o problema”, criticou. A Uipa tem um trabalho de esterilização de cães e gatos abandonados. “O médico Péricles Duarte Portela faz 200 castrações para a Uipa em animais de donos pobres e protetores de animais”."